quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Belga morre por eutanásia depois de operação de mudança de sexo: "Não quero ser um monstro".

Nathan Verhelst, de 44 anos, nasceu mulher e fez vários procedimentos para virar homem.

 
 
Um belga de 44 anos morreu por eutanásia nesta segunda-feira (30) depois de alegar transtornos físicos e psicológicos "insuportáveis" após um procedimento para mudar de sexo. Nathan Verhelst morreu em um hospital de Bruxelas, com a presença de amigos, depois de lutar para conseguir que o procedimento fosse autorizado. "Não quero ser um monstro", disse Verhelst, que considerou a mudança de sexo como fracassada.
O médico Wim Distlemans, do hospital universitário VUB, acompanhou todo o procedimento e garantiu que a morte de Nathan foi tranquila. Para o médico, Nathan teve a eutanásia autorizada porque existia de maneira clara "sofrimento físico e psicológico insuportáveis".
Nathan nasceu Nancy, única menina em uma família com mais três meninos. Ele era rejeitado pelos pais, que queria ainda mais um filho do sexo masculino, contou Nathan em entrevista à imprensa belga. 
Desde adolescente, Nathan sonhava em ser homem e entre 2009 e 2012 fez três intervenções em busca desse desejo - tratamento hormonal, remoção dos seios e mudança de sexo. Mas o resultado não satisfez. Os seios continuavam grandes e o pênis criado "fracassou", disse Nathan.
"Eu havia preparado uma festa para comemorar o meu novo nascimento, mas na primeira vez que me vi no espelho, tive aversão pelo meu novo corpo", contou Nathan. "Tive momentos felizes, mas, no geral, sofri", disse, finalizando ao dizer que considerava 44 anos um tempo considerável na terra.
A Bélgica autoriza mortes por eutanásia desde 2002. Para recorrer à prática, a pessoa deve mostrar que tem um problema grave e incurável que cause sofrimento, seja físico ou psíquico.
"Um primeiro médico avalia o caráter grave e incurável do problema (...) Outro médico, um psiquiatra, especialista na patologia em questão, analisa o pedido para determinar se é, por exemplo, uma depressão passageira", explica Jacqueline Herremans, da Comissão Nacional sobre a eutanásia.


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